O sucesso das prateleiras gays

Já houve uma época em que eu fui extremamente viciado em masturbação e pornografia (vício que, aliás, destrói o seu cérebro), mas passou quando notei que aquilo que eu assistia era absolutamente irreal. Eu nunca iria ter acesso àqueles corpos perfeitos na vida real, naquelas camas perfeitas, em situações perfeitas.

O que é irreal parou de me despertar interesse e a masturbação, pra mim, virou sinônimo de fracasso absoluto. Você só se masturba porque, no fundo, não tem nada de melhor pra fazer, é um frustrado na vida e não tem coragem de pisar o pé pra fora de casa nem pra fazer coisa que não presta (quem dirá coisa que presta). É tímido demais até pra pecar.

O mundo das possibilidades reais — das coisas concretas, daquilo que eu podia tocar e sentir o calor —, por outro lado, se tornou infinitamente mais interessante. Foi aí que descobri os famosos aplicativos de encontro. Há o Tinder e o Happn, que são direcionados a um público mais geral. Já para os gays, de maneira específica, existem o Grindr, o Scruff e o Hornet — já utilizei os três. Sim, instalados ao mesmo tempo.

Todos os aplicativos mencionados, sem excessão, utilizam um padrão de prateleira de supermercado. É um açougue virtual. O destaque é dado na foto e nas caracterísitcas puramente físicas da pessoa. Só depois vem a descrição, onde o usuário pode escrever o que bem entender, mas que 99% das pessoas jamais lerão.

É legal notar nesses aplicativos — agora falo sobre os apps gays, especificamente — o fato de que a esmagadora maioria de seus usuários não possui nenhuma atração sexual por afeminados. Quero dizer, até entre os gays pouco se admite homens que tenham caracterísitcas femininas. Acho muito engraçado esses LGBTs se dizerem tão “inclusivos”, mas internamente agirem com ainda mais preconceito com relação aos seus pares. Não pense também que gordos, magros, feios e “minorias” em geral serão bem aceitos nesses apps. Nada disso. Esses aí pegam só gripe.

Ainda piores são as pessoas que promovem os aplicativos e os mantêm. São eles que vivem de objetificar os LGBTs incentivando-os a utilizar esses aplicativos para se tornarem mais um pedaço de carne no seu estoque. Um dentre eles, o Hornet, até tenta se fazer de rede social, mas é o pior.

O Hornet é especialmente pior porque tenta engajar seus usuários, e ali eles fazem de tudo para tentar fazer você, homossexual, se sentir bem com a vida que tem. Promovem templos satânicos, falam sobre filmes conhecidos, criando teorias sobre quais personagens podem ser queer pra você poder se identificar melhor com eles, compartilham museus esquisitos com esculturas de pênis (ok, eu ri desse), fazem propaganda de seus pedações de carne (aka usuários) mais bonitos da semana etc.

E os apps estão ficando muito famosos. E estão ficando cada vez mais. E existe uma razão: eles tornaram a vida de quem quer sexo sem compromisso muito mais fácil. Não é mais preciso ficar procurando traveco nas esquinas. Não é mais preciso ir às baladas gays pra poder pegar homem (e correr o risco de ser descoberto). Você pode fazer tudo isso no conforto da sua casa, no segredo, e o que é melhor: de graça.

O sexo fácil dos apps é pior do que o vício em pornografia e masturbação por uma série de razões:

Nunca em minha vida me arrependi tanto de dar esse passo para dentro dos aplicativos e estragar ainda mais a minha cabeça. Ainda vou demorar muito tempo pra me curar desses males.

Quantas pessoas mais vão entrar nesse mundo? Quantas pessoas mais vão se submeter à objetificação dessa maneira? Quantas mais?